quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Sibiu, Alba Iulia, Târgoviște

2017 terminou da mesma forma que havia começado: a descobrir mais um bocadinho da Roménia. A última viagem do ano, aproveitando a quadra natalícia, teve como destino as cidades de Sibiu e Alba Iulia, no coração da Transilvânia.


Strada Cetății, a rua mais bonita de Sibiu segundo uma placa que por ali se encontra

No caso de Sibiu tratou-se de uma redescoberta (terceira visita), para conhecer uma versão diferente da cidade capital europeia da cultura em 2007: vestida com cores de inverno, e com o seu acolhedor centro histórico ornamentado pelo nacionalmente famoso mercado de natal, ou Târgul de Craciun (que, valha a verdade, apesar de ter a sua piada e de se enquadrar bem na central Piața Mare, nada tem de extraordinário face a outros eventos similares).

Mercado de Natal de Sibiu.

Além da novidade de explorar Sibiu em versão invernal, esta visita permitiu ainda cumprir algo que ficou por fazer nas duas visitas anteriores: subir ao topo da torre da Catedral Luterana. A subida, feita por uma escadaria íngreme de madeira com 160 degraus, que dá a ideia de poder ceder a qualquer momento, não é a mais fácil, mas é compensadora: lá do alto dos seus 74 metros, obtêm-se vistas abrangentes sobre toda a cidade e arredores.


Sibiu vista a partir do topo da torre da Catedral Luterana.

Outra coisa que continua por cumprir é ir refastelar-me ao Old Lisbon, que já foi o único restaurante Português em toda a Roménia (entretanto apareceu outro em Bucareste, onde também ainda não pus os pés). Terá de ficar para uma eventual quarta visita

Os "olhos de Sibiu": uma característica peculiar da arquitetura medieval presente na cidade faz com que as casas pareçam ter olhos nos telhados.

Umas dezenas de quilómetros a noroeste de Sibiu, outra cidade histórica, pitoresca e bem conservada convida a uma visita, para conhecer a maior fortaleza da Roménia. Trata-se de Alba Iulia e do seu ex-libris, a Cetatea Alba Carolina. Este complexo defensivo, em forma de estrela com sete bastiões (um pouco a fazer lembrar Almeida), data de 1715 e a sua construção foi responsabilidade do imperador austríaco Carlos VI (daí o nome), quando a Transilvânia era parte do Império Habsburgo, tendo por objetivo defender a cidade de ataques otomanos. Tem a particularidade de se situar no local onde, nos tempos do Império Romano, existiu Apulum, então uma das cidades mais importantes da Dácia.  Uma boa forma de admirar esta fortaleza é fazer o percurso pedonal pelo exterior, junto à muralha, que tem uma extensão total de três quilómetros.

Vista da Cetatea Alba Carolina a partir da Piata Tricolorului, com uma bandeira a condizer. Em destaque, o campanário da Catedrala Încoronării (à esquerda) e a torre da Catedral de São Miguel, datada do séc. XIII (à direita).

Além de chamar para si o estatuto de "cea mai mare cetate", Alba Iulia considera-se também "cealalta capitala", ou a outra capital. Uma capital simbólica (que já o foi na realidade, entre 1570 e 1692 enquanto capital do Principado da Transilvânia), sobretudo por ter sido ali que se oficializou a união da Transilvânia, juntamente com as províncias de Banat, Bucovina e Bessarabia, ao Reino da Roménia, a 1 de dezembro de 1918, após o término da Primeira Guerra Mundial (data atualmente celebrada como feriado nacional). Foi também nesta cidade que ocorreu, em 1922, a coroação simbólica de Ferdinand I (a título de curiosidade, neto da rainha D. Maria II de Portugal) como o rei da Roménia unida com as referidas províncias. Para celebrar a união e receber a coroação, ergueu-se outra das landmarks locais: a Catedrala Încoronării.

Catedrala Încoronării.

Alba Iulia é também uma cidade de contrastes. Deixar as ruas medievais da restaurada e organizada cetatea e sair pela Piața Tricolorului, em direção ao Parcul Unirii, equivale a fazer uma rápida viagem no tempo até à segunda metade do século XX. Aqui, é visível a marca do período comunista, desde os tradicionais blocos monolíticos de apartamentos até aos elementos que caracterizam o parque, como a fonte ou os arcos que ornamentam a entrada, junto à Piata Unirii. Este é, possivelmente, um dos locais da Roménia onde mais se sente a herança do comunismo.

Parcul Unirii, certamente um dos locais mais "soviéticos" da Roménia.

Entretanto, começou um novo ano e já houve uma viagem inaugural, ainda que curta. O destino foi Târgoviște, outra antiga capital (neste caso, da Valáquia, entre 1418 e 1659, tendo então perdido esse estatuto para Bucareste). 
O ponto incontornável da cidade é formado pela Curtea Domnească, um complexo defensivo do séc. XV que foi também local de residência do governante (voievod) do Principado da Valáquia, ou Țara Românească (atual sul da Roménia). Este conjunto monumental é dominado pela Torre Chindia, símbolo da cidade, cuja construção se deve a um dos mais célebres voievozi da Valáquia, Vlad III, ou Vlad Țepeș.

Curtea Domnească de Târgoviște. Ao fundo, a Torre Chindia, símbolo da cidade.

Vista da cidade a partir da Torre Chindia

Entretanto, e sendo este o primeiro post de 2018, é oportuno deixar aqui uma retrospetiva de 2017, para que, sempre que venha aqui ler isto, recordar o que marcou o ano.
Pois bem, 2017 foi mais um ano memorável (mas não tanto como o anterior) passado em terras de além-Cárpatos e, pontualmente, por outros locais da Europa. Houve viagens internacionais - desde logo, o regresso marcante à Suíça natal, 20 anos depois (e o fim da bonita saga do lonely traveler), e também Santorini (com nova passagem por Atenas), Roma e três das capitais do Danúbio (Budapeste, Bratislava e Viena), para além da obrigatória ida a Portugal - que permitiram adicionar três novos países (Suíça, Áustria e Eslováquia) ao meu travel map; houve, também, viagens intra-fronteiras - Predeal e montes Iezer a abrir o ano, Brasov (quarta visita) para correr mais uma meia-maratona, Neptun, Busteni (com subida a Babele e à Cruz dos Heróis), Orsova e Baile Herculane (com passagem por Craiova), Transfăgărășan (finalmente!) para fazer uma corridita de quase 10 km e, por último, Sibiu e Alba Iulia.
Extra-viagens, 2017 fica na memória pelos concertos - Bucovina no Hard Rock Cafe (primeira vez que lá entrei, ao fim de quase 2 anos em Bucareste), Apocalyptica na Sala Palatului e Sólstafir num clube ali para os lados de Grozavesti - e pela oportunidade única que foi ver o Sporting a jogar (e a golear) na Arena Nationala para a Champions League.

Sólstafir!

O ano fica ainda marcado por uma mudança de emprego, que me fez ficar (ainda) mais confortável na capital romena. No horizonte de 2018 não há planos para me ir embora. Ainda bem, sempre é mais fácil ir preenchendo o travel map a partir daqui.

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