sábado, 30 de dezembro de 2017

Uma viagem a Roma

Há destinos turísticos que, mesmo não estando no topo das prioridades, são de visita obrigatória, pela importância que representam a nível histórico, cultural, social, político. Um desses destinos é Roma, a capital de Itália que já foi caput mundi, ou capital do mundo, enquanto centro de um vasto império, e que encerra em si uma História documentada superior a 2500 anos. Além disso, e falando no que realmente interessa, ir a Itália nos dias que correm é fácil e barato. Portanto, não há motivos para não visitar a chamada Cidade Eterna.

Vista de Roma a partir do topo da Scalinata dell'Aracoeli

No centro nevrálgico da capital moderna, resiste parte da construção majestosa que marcava também o centro da capital antiga - o Anfiteatro Flaviano (séc. I), comummente chamado Coliseu de Roma. Antigo palco de lutas de gladiadores e outros espetáculos durante os tempos áureos do Império Romano, o Coliseu subsiste como símbolo histórico da era imperial sendo, simultaneamente, um símbolo turístico de Roma e de Itália.


Coliseu visto por fora...
... e por dentro

O Coliseu é também um bom ponto de partida ideal para explorar a herança histórica de Roma. Nas imediações encontra-se o Arco de Constantino (séc. IV) e, ao longo da Via dei Fori Imperiali, distribuídas por ambos os lados, as ruínas do Foro Romano, coração da Roma Antiga, e dos fóruns imperiais de César, Nerva, Augusto e Trajano.

Arco de Constantino visto a partir do interior do Coliseu


Via dei Fori Imperiali. Ao fundo, o Coliseu.


Foro Romano

Estátua do imperador Trajano, de costas para o fórum imperial que mandou construir no ano 106

A Via dei Fori Imperiali conduz à Piazza Venezia, dominada pelo Altare della Patria, um monumento do sec. XIX em honra de Vitorio Emanuele II, primeiro rei da Itália unificada. Continuando pela Via del Plebiscito e depois pelo Corso Vitorio Emanuele II e Corso del Rinascimento, surge uma das mais célebres praças de Roma: a Piazza Navona, com as suas três fontes (Fiumi, Moro e Nettuno) e a igreja Sant'Agnese in Agone (século XVII).

Altare della Patria

Igreja de Sant'Agnese in Agone e Fontana dei Fiumi, na Piazza Navona

Seguindo em direção ao Tibre, encontra-se a ponte de Sant'Angelo e, já na margem direita do rio, o castelo homónimo (séc. II). A partir daqui, a Via della Conciliazione dá acesso à Cidade do Vaticano, considerado o mais pequeno estado independente do mundo.


Castelo Sant'Angelo


Via della Conciliazione, em direção à Praça de São Pedro (Vaticano)

Podia adicionar aqui mais um país ao meu travel map, mas não considero o Vaticano como tal. É como se fosse apenas mais um bairro de Roma. Merece ser visitado pela beleza e sumptuosidade da Praça de São Pedro e da Basílica dedicada ao mesmo santo e, para quem ligar a isso, pelo simbolismo que estes locais carregam para a religião católica. Há também a Capela Sistina, cujo acesso estava vedado no preciso dia em que lá fui. Melhor assim. Enquanto ateu convicto, prefiro não ver as pinturas de Michelangelo do que dar dinheiro a ganhar à igreja católica.

Praça de São Pedro

Voltando a Roma, uma das melhores formas de contactar com a essência da cidade é caminhar em toda a extensão da Via del Corso desde a Piazza del Popolo. A partir desta artéria, um desvio pela Via del Seminario leva ao Pantheon, templo do século II, dedicado à adoração de todos os deuses da mitologia romana.

Pantheon

Finalmente, uma visita a Roma não ficaria completa sem uma passagem por dois dos seus locais mais emblemáticos: a Piazza di Spagna e a sua famosa escadaria do século XVIII, que conduz à igreja da Santissima Trinità dei Monti (século XVII), e a Fontana di Trevi, uma imponente fonte de estilo barroco datada de 1732 onde é obrigatório atirar uma moedinha e pedir um desejo qualquer.

Escadaria da Piazza di Spagna e, ao cimo, a igreja da Santissima Trinità dei Monti


Vista de Roma a partir da igreja da Santissima Trinita dei Monti

Fontana di Trevi

E muito mais haveria para destacar, porque Roma é, em suma, um museu ao ar livre em forma de cidade, onde a cada canto surge um motivo diferente de interesse - um pormenor arquitetónico, uma praceta, uma estátua, uma basílica imponente, um palacete, uma ruína romana com uma história para contar.

Um postal de Roma: o rio Tibre, a ponte Sant'Angelo e, ao fundo, a Basílica de São Pedro

Contudo, a capital italiana não deixa de ter os seus pontos negativos: o turismo em massa (mesmo em dezembro, havia mais turistas do que seria desejável) o que, aliado aos quase 4 milhões de habitantes, fazem de Roma uma cidade com gente a mais; indianos e africanos (sempre as mesmas raças, f0d4-$€!) a aproveitarem-se desse turismo de massa para impingirem pulseiras, selfie sticks e outros objetos inúteis como eles, à força toda; trânsito intenso e, aparentemente, com maior desrespeito pelas regras que na Roménia, o que parecia impossível; e comida, pois é suposto haver ali do melhor que a cozinha italiana tem para oferecer, mas as pizzas vêm com a grossura de uma panqueca e a textura de uma bolacha, e as pastas também não são nada de mais, mesmo nos restaurantes mais turísticos.
Apesar de tudo isto, não deixa de ser um destino que vale a pena ser visitado, pela herança histórica e também pelo romantismo que transmite. Li algures que haverá poucas coisas mais românticas do que passear pelas ruas estreias do centro de Roma, de mão dada com a companhia certa. É capaz de ser verdade.

A melhor rua de Roma, apesar de não ter nada de especial para além do nome. Lamentei não ter ali um cachecol do Sporting para complementar a fotografia.

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