sábado, 11 de novembro de 2017

Jardim Botânico

Há uns tempos, fui questionado sobre qual é o meu local favorito em Bucareste. Ocorreram-me vários, como é normal para alguém que está baseado na capital romena há 2 anos, a caminho do terceiro. Desde logo, o parque Herăstrău, running track de eleição, cenário de muitos passeios, palco de encontros, momentos, memórias; outro parque, o Titan/IOR, dos tempos em que residi no limítrofe cartier de Dristor; o Lacul Morii ao por do Sol; a majestosa Calea Victoriei, montra história dos tempos em que Bucareste era a "Little Paris of the East"; e, já para lá dos limites da cidade, os jardins do Palácio Mogoșoaia. Ficou no entanto a faltar, neste conjunto de locais prediletos, aquele que mais merece o epíteto de favorito. Um local que havia visitado apenas uma vez, num sábado chuvoso de setembro, e ao qual tive a oportunidade de voltar mais recentemente: o Jardim Botânico (Grădina Botanică).


Pode parecer estranha esta escolha, para alguém que não é estudioso ou apaixonado pela área da botânica e a quem, por isso, pouco interessam os mais de 10 milhares de plantas, incluindo plantas exóticas e medicinais, que ali se encontram. Acontece que este espaço é muito mais que um simples jardim botânico. É também um parque, mais acolhedor, mais bem conservado e muito menos frequentado que qualquer outro parque bucarestino, até porque se paga para entrar (apenas 2 lei, o equivalente a 44 cêntimos, se se aldrabar a senhora da entrada dizendo que se é estudante).


E é, sobretudo, uma ilha de sossego no centro de uma das mais caóticas capitais europeias. São quase 18 hectares de tranquilidade, entre o bulício das artérias Soseaua Cotroceni e Splaiul Independentei, que fazem esquecer a cidade à sua volta. O movimento, a confusão e o ruído urbanos ficam do lado de fora. Ali, apenas há lugar para apreciar os sons da natureza, pincelada com tonalidades outonais que, por esta altura, conferem a este quadro uma beleza adicional.


Além disso, o Jardim Botânico é um local com história. Ao longo dos seus 133 anos de existência (foi criado em 1884), este espaço sobreviveu às duas Guerras Mundiais - na Primeira foi ocupado pelos alemães, na Segunda foi atingido pelo bombardeamento das forças anglo-americanas. O local engloba ainda a Faculdade de Biologia da Universidade de Bucareste, instituição à qual pertence, e o Museu Botânico, instalado num palacete de estilo renascentista romeno (Brâncovenesc).


Natureza, História e, acima de tudo, um sossego rural no meio do caos urbano, a escassos metros deste mas, ao mesmo tempo, muito longe - é isto que faz de um Jardim Botânico o meu canto predileto em Bucareste.

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