sábado, 21 de outubro de 2017

As capitais do Danúbio

Ao longo do seu curso por uma dezena de países europeus, o rio Danúbio atravessa quatro capitais. A mais recente viagem permitiu visitar três delas - Budapeste, Bratislava e Viena (faltou Belgrado para completar o circuito das capitais banhadas pelo segundo maior rio europeu). E se no caso de Budapeste se tratou de um regresso, já as capitais eslovaca e austríaca estrearam-se no meu mapa de viagens. De caminho, e por força de uma escala de várias horas, houve direito a novo cromo repetido na caderneta viajeira: Bergamo. Quatro cidades, em quatro países diferentes, ao longo de cinco dias.

Budapeste

Um regresso à capital húngara, exatamente dois anos após a primeira visita, naquela lone trip das 15 horas de comboio (havendo rotas diretas, ir de avião é realmente mais rápido).

Vista de Budapeste a partir do Castelo de Buda, com a Catedral de Szent István, o Parlamento e a Ponte das Correntes sobre o Danúbio 

Budapeste é uma daquelas cidades onde não me importo de voltar e, desta vez, com melhor companhia e meteorologia mais favorável, vi a Rainha do Danúbio com outros olhos. Ainda que já conhecesse as principais landmarks locais, foi agradável visitar novamente a Basílica de Szent István, atravessar a Ponte das Correntes (Széchenyi Lánchíd) e passear pelo centro histórico de Buda, com passagem pelo castelo, Igreja de Matias, Bastião dos Pescadores e aquela que é, possivelmente, a rua mais bonita da cidade: a rua Tóth Árpád (que não destaquei no texto de há dois anos, mas devia). Com a companhia certa, e já pincelada com as cores outonais, esta rua é ainda mais bonita, ainda mais romântica.

Rua Tóth Árpád

Interior da Basilica de Szent István

Castelo de Buda e um dos leões que guarda a entrada da Ponte das Correntes

Qualquer passagem por Budapeste não fica completa sem uma caminhada pela marginal, ao longo do Danúbio e junto ao Parlamento (Országház) e um passeio pela Praça dos Heróis e pelo Parque Városliget.

Parlamento visto a partir da Ponte Magrit

Uma nova passagem pelo marcante memorial dos Sapatos no Danúbio

Parque Városliget numa manhã chuvosa (ir a Budapeste e não apanhar chuva deve ser quase impossível)

Por limitações de tempo, ficaram de fora a ilha Margit, a colina de Gellért e, novamente, as Termas de Széchenyi. Foi a visita possível (apenas um dia e meio). Última paragem em Budapeste: estação de Népliget, para apanhar um autocarro rumo ao destino seguinte.

Bratislava

A capital da Eslováquia é como todas as capitais deveriam ser: pequena, com pouca gente (locais e turistas) e, por isso, pitoresca e acolhedora. Esta atmosfera de cidade pequena, de capital que não o parece (também só o é há 25 anos) revela-se logo à saída do autocarro, na estação junto à ponte Most SNP - o centro é logo ali.

Rua Michalská. Ao fundo, o Michalská brána, ou Portão de São Miguel (séc. XIV)

Perspetiva noturna da fonte Maximiliánova, situada na Hlavné námestie, a praça central de Bratislava

Meio dia chega e sobra para percorrer o bem conservado centro histórico, passear pela marginal Razunovo nábreží, junto ao Danúbio, e subir ao Castelo (Bratislavský hrad), de onde se obtem uma excelente panorâmica sobre a cidade e arredores.

Estátua de Svatopluk I junto ao Castelo de Bratislava

Vista de Bratislava a partir do castelo

A estadia foi breve, mas suficiente para conhecer e ter ficado a gostar desta "little big city", como lhe chamam. E deu também para eliminar aquela imagem da cidade sombria e perigosa retratada no filme Hostel.

Viena

O destino principal da viagem e aquele que, por isso, teve direito a mais tempo (praticamente 2 dias inteiros) foi curiosamente o único que deixou um certo sabor a pouco. Se para visitar o centro histórico da vizinha capital eslovaca chega um par de horas, para o centro histórico de Viena não chega um par de dias, e a cidade inteira exigirá no mínimo uma semana.
Os dois dias orçamentados chegaram, no fundo, para o básico: visitar, no centro histórico (Innere Stadt) a Catedral de St. Stephan e a envolvente Stephansplatz, e caminhar pelas ruas pedonais Graben e Kohlmarkt até à Michaelerplatz, onde se ergue o Palácio de Hofburg, residência oficial da família imperial austríaca (dinastia Habsburg) durante vários séculos.

Catedral de St. Stephan

Graben

Pormenor da fachada do Palácio de Hofburg

Já um pouco afastado do centro, encontra-se outro ponto de visita obrigatória - o imponente Palácio de Schönbrunn e os seus vastos jardins, antiga residência de Verão dos Habsburg (Hofburg era a residência de Inverno).

Palácio de Schönbrunn

Ficou, no entanto, muita coisa por visitar e explorar - o centro histórico foi visto muito pela rama, a Ringstrasse, que contorna o Innere Stadt e é caracterizada como uma montra da arquitetura local, foi percorrida apenas parcialmente, o Prater e toda a área junto ao Danúbio ficaram em falta. Em boa verdade, nem vi o Danúbio em Viena, mas apenas o chamado Donaukanal, um antigo braço do rio principal que passa pelo centro da cidade. 

Donaukanal junto à Rembrandtstrasse

E, claro, ficou também em falta um contacto com a herança daquela que é considerada a capital musical da Europa. Por tudo isto, Viena merece um segundo round. Talvez um dia lá volte. 

Bergamo

Quando fui à Suíça em abril passado, gabei-me de ter estado em três países num só dia. Pois bem, desta vez e só por causa das coisas, foram quatro: acordar na Áustria, ir à Eslováquia apanhar um voo para Itália, e daí apanhar um outro voo de regresso à Roménia. Pelo meio, devido à proximidade face ao aeroporto e porque a rapariga nunca tinha estado em solo italiano, visitei novamente a cidade de Bergamo.
Se na primeira visita, ocorrida numa tarde chuvosa de quinta-feira, fiquei encantado com a cidade, agora que voltei num domingo solarengo já não achei tanta piada. Os encantos continuam lá, mas sendo fim-de-semana e havendo meteorologia agradável, fui encontrar as ruas pejadas de gente, e basta isso para ficar logo mal disposto. Até o funicular entre a Città Bassa e a Città Alta tinha uma fila ao estilo da Telecabina de Busteni, pelo que desta vez a subida teve de ser feita a pé, entrando pela Porta San Giacomo. Apesar do excesso de pessoas, foi agradável percorrer novamente a Via Gombito e passar pela Piazza Vecchia.

Via Gombito junto à Piazza Vecchia, com a Torre di Gombito em destaque

Torre Civica ou Campanone (séc. XI)

Esta viagem permitiu adicionar mais duas entradas (Áustria e Eslováquia) à lista de países visitados, que vai agora em 22. Seguindo a lógica de posts anteriores devia ir em 20, mas porque não contar Portugal se já fiz turismo lá dentro, e porque não contar a França mesmo que só lá tenha ido para trabalhar? Vale tudo para engrossar a lista, que o mundo é grande e a vida é curta.
Entretanto, está já planeada a próxima viagem, que será a última de 2017. Não adicionará nenhum país novo à lista, mas adicionará uma capital (outra contagem que me lembrei de fazer, e que vai em 17). O destino é Roma, será em período pré-natalício, e é claro que haverá um post a respeito.

Sem comentários: