quarta-feira, 9 de agosto de 2017

De volta às montanhas

Enquanto rapaz da Serra, é-me bastante agradável qualquer deslocação às montanhas. Sinaia e Busteni foram o destino da mais recente visita aos Cárpatos, localidades já visitadas anteriormente mas às quais é sempre bom voltar, para respirar o ar fresco e puro da montanha e fugir às temperaturas tórridas que por esta altura assolam Bucareste.


De Sinaia fica o agradável piquenique no parque Ghica e a minha terceira visita ao Palácio Peles, um edifício que parece exibir, a cada visita, um novo ângulo para ser admirado e fotografado.

Palácio Peles, terceira visita e centésima fotografia (para aí). Nunca é demais.

O destino principal da viagem era, no entanto, Busteni, para cumprir um objetivo há muito desejado e que já havia tentado na minha última deslocação a esta localidade, sem sucesso: subir ao topo das montanhas, onde se encontra a Cruz dos Heróis (Crucea Eroilor), um monumento de homenagem às vítimas da Primeira Guerra Mundial.
Contrariamente ao que aconteceu em novembro passado, desta vez encontrei o teleférico a funcionar, mas com uma fila de espera digna de uma repartição de finanças. Ao todo foram 2 horas e 50 minutos de seca e 10 minutos de subida com vistas dramáticas sobre os penhascos. Três horas, portanto, para chegar lá acima. Mais demorado que ir a pé (comprovado por um companheiro de viagem que demorou pouco mais de 2 horas).

Telecabină Busteni-Babele. 10 minutos até lá acima, quase 3 horas para tirar bilhete.

A subida por telecabină termina em Babele, perto de um penedo icónico a que chamam de Sfinxul (a Esfinge), mas que em nada se assemelha aos míticos leões com cabeça humana do Antigo Egipto. 

Uma espécie de esfinge

No entanto, se as formações rochosas não impressionam por aí além, já as vistas que se obtêm a partir daquele ponto, a 2216 metros de altitude, são espectaculares. Não vale a pena adjetivar mais, as fotografias falam por si.




Sim, andam ali ovelhas. Centenas delas

A Crucea Eroilor está a cerca de uma hora de caminhada de distância, a partir de Babele, e obriga a subir mais um pouco. Os (quase) 2400 metros de altitude atingidos pelo caminho constituem agora um record pessoal, já que nunca tinha andado a tais altitudes.

Mais alto que os 2291 metros da Cruz dos Heróis

Para o regresso a Busteni, nova viagem de telecabină e, por conseguinte, nova fila e nova espera de quase 3 horas. Seis horas de um domingo desperdiçadas em filas de teleférico mas, como nem tudo tem de ser mau mau, fica a lição: em fins de semana estivais, metade das 3 milhões de almas que habitam Bucareste vai à praia (Mamaia, sobretudo), a outra metade vai às montanhas (por uma questão de proximidade, Sinaia, Busteni e redondezas), portanto há que evitar locais potencialmente concorridos.

Entretanto, está já planeado outro fim de semana fora da capital (há que aplicar o lema "niciun weekend acasa" sempre que possível). O destino será Orșova, nas margens do Danúbio, junto à fronteira com a Sérvia. Uma região que me ficou na retina desde que ali passei de comboio a caminho de Budapeste e que agora, dois anos mais tarde, terei oportunidade de visitar. É possível que haja um post a respeito, com a regularidade que se conhece (daqui a 2 meses, portanto).

P.S. Ainda a respeito da ida às montanhas, e dado que eu ando sem grande paciência para redigir narrativas extensas, recomendo a leitura deste post do Cartas de Bucareste, o melhor blog sobre Bucareste e a Roménia que por aí anda.

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