sábado, 17 de dezembro de 2016

Israel

Última viagem de um ano cheio delas. Destino: o Estado de Israel, 6º país visitado em 2016 e o 17º no travel map pessoal, que "desbloqueou" em simultâneo um segundo continente no referido mapa - a Ásia. Foi, pois, a primeira experiência viageira fora do continente Europeu, que permitiu explorar, ao longo de uma semana, as cidades de Tel Aviv e Jerusalém, com uma day trip ao Mar Morto pelo meio. Vamos por partes...

Tel Aviv

Há quem lhe chame a Miami do Médio Oriente, mas a impressão inicial revelou uma cidade que mais parecia uma parente mediterrânica de Londres, com meteorologia cinzenta e chuva quase permanente a pintar o quadro dos primeiros dias. Consequências de viajar em Dezembro, mês em que se concentram grande parte dos 50 e tal dias de chuva anuais ali registados.
Porém, a 32 º de latitude norte não há chuva que resista, pelo que lá acabou por surgir um tempo mais solarengo e de temperaturas amenas, que até deu para ir à praia. E com uma meteorologia mais estival, aliada às praias que se estendem ao longo de vários quilómetros, das largas avenidas marginais pejadas de palmeiras e da sua skyline, com arranha-céus e hotéis de luxo à beira-mar, a comparação com a metrópole da Florida torna-se compreensível. Nunca estive em Miami, mas deve ser mais ou menos assim.

"Miami of the Middle East"

Do ponto de vista turístico, vale a pena visitar Tel Aviv por três localizações: a cidade antiga (Jaffa), com as suas ruelas estreitas a espreitar o Mediterrâneo; a extensa Lahat Promenade, junto ao mar, que faz a ligação entre a cidade antiga e a Tel Aviv moderna; e o Carmel Market, um daqueles mercados típicos onde se vende um pouco de tudo, ideais para contactar um pouco mais com o bulício urbano e a cultura local. Merecem também destaque o bairro "street art friendly" de Florentin e a avenida Rothschild, que percorre o centro da cidade e permite apreciar um pouco da sua arquitetura. Aparte isso, Tel Aviv é essencialmente uma metrópole moderna, poluída e caríssima (está entre as cidades mais caras do mundo).

Old Jaffa vista a partir da Lahat Promenade, com a torre da igreja de São Pedro em destaque

Vista sobre a Tel Aviv moderna

Algures em Old Jaffa

Carmel Market

Jerusalém

Apenas 70 quilómetros separam Tel Aviv de Jerusalém, mas se a distância geográfica é curta, as diferenças entre as duas cidades são vastas. É como se, nessa curta viagem, se cumprisse a transição entre o mundo ocidental e o Médio Oriente. O estilo "ocidental" de Tel Aviv, que poderia perfeitamente passar por uma cidade europeia, dá lugar a um ambiente de maior tipicidade, onde os sons e cheiros lembram que se está noutra zona do globo. A este respeito recordo-me do hostel, com um mercado logo à porta, cujas bancas se estendiam pelo corredor de acesso. Consequentemente, todas as manhãs por volta das 6 horas era acordado pela vozearia e pelas buzinas dos distribuidores de frutas e vegetais.

Jerusalém, com vista para a dourada Cúpula da Rocha e o Muro das Lamentações 


Apesar de Jerusalém, enquanto capital do Estado de Israel (ainda que disputada com a Palestina e não reconhecida internacionalmente), se estar também a "ocidentalizar", a cidade antiga, conservada entre muralhas, mantém a sua identidade. Entrar por um dos seus sete portões é como mergulhar na história da Humanidade, já que por ali passaram vários credos e culturas ao longo de milhares de anos. Além de ser uma das cidades mais antigas do mundo, a "cidade santa" é sagrada para as religiões cristã, judaica e islâmica, que ali encontram importantes lugares de peregrinação - a Igreja do Santo Sepulcro para os cristãos, o Muro das Lamentações para os judeus e a Cúpula da Rocha, no Monte do Templo, para os muçulmanos (local também sagrado para os judeus e no qual me foi vedada a entrada por não professar nenhuma dessas religiões).

Igreja do Santo Sepulcro, onde Cristo foi sepultado antes de ressuscitar e subir aos céus (bonita história)

Muro das Lamentações

Além da sua importância religiosa, a cidade antiga destaca-se pelo seu aglomerado de ruas labirínticas, palco de um bulício constante e pejadas de vendedores omnipresentes, que transformam a Jerusalém intra-muralhas numa espécie de bazar gigante. Deambular por este labirinto histórico de um quilómetro quadrado, ao longo dos seus quatro bairros - os quarteirões cristão, judaico, muçulmano e arménio - é uma experiência única.

Algures na cidade velha de Jerusalém

Depois de deambular pelas ruas da cidade antiga, é boa ideia subir ao Monte das Oliveiras para obter esta panorâmica sobre Jerusalém

Mar Morto

Não muito longe de Jerusalém e já na fronteira com a Jordânia, há um lago de água salgada, tão salgada que praticamente nenhuma forma de vida lá subsiste em permanência. É, por isso, chamado de Mar Morto. As suas águas, com uma concentração de sal 10 vezes superior à média dos oceanos, são também excelentes para quem não sabe nadar, já que aquilo que delas se diz é verdade: é realmente possível flutuar, dada a densidade que acompanha a elevada salinidade. É uma experiência agradável.

Mar Morto

Sim, estou a flutuar

A viagem a partir de Jerusalém atravessa o deserto israelita e passa pela autoestrada 90, que na sua secção junto ao Mar Morto se torna na estrada com menor altitude do mundo já que este lago é o local de menor altitude à face da Terra, cerca de 400 metros abaixo do nível do mar. O destino foi o popular resort de Ein Bokek onde, pela segunda vez nesta viagem depois de Tel Aviv, foi possível fazer praia.

Mar Morto em Ein Bokek

Depois de tudo isto, chegou-se a hora de regressar a Tel Aviv e ao aeroporto Ben-Gurion, onde bati o meu record de tempo à espera de um voo - 12 horas, já com a segurança feita e a (tentar) dormir junto a um gate qualquer. Só para poupar o dinheiro de uma noite num hostel.
E assim termina 2016 no que diz respeito a viagens, com meia dúzia de países visitados - Espanha, Bulgária, Ucrânia, Grécia, Moldávia e Israel. Para o ano há mais.

Sem comentários: