quarta-feira, 3 de agosto de 2016

The Lonely Traveler, pt. 5 - Atenas

Depois de um mês de julho inteirinho sem escrever aqui uma letra que fosse, aplicando nesta espelunca um dos meus lemas de vida – se nada há de inteligente para dizer, então mais vale estar calado – eis uma publicação nova. Um post sobre aquela que foi, possivelmente, a única coisa de relevante que aconteceu na minha vida no referido mês: a viagem à Grécia.


Em Atenas, a praça Syntagma constitui um ponto nevrálgico da cidade, do ponto de vista histórico, social, político e comercial, e funciona também como sala de visitas – é ali que termina o percurso do autocarro X95, que faz a ligação direta entre o aeroporto e o centro da capital grega. O viajante recém-chegado pode assim apreciar, desde logo, este aprazível espaço central, encimado pela fachada imponente do antigo Palácio Real e atual sede do Parlamento Helénico.

Praça Syntagma e Parlamento Helénico

Render da guarda junto ao túmulo do soldado desconhecido da Praça Syntagma. A curiosa coreografia protagonizada pelos evzones, guardas presidenciais, acontece diariamente à hora certa, de hora a hora.

Ali perto fica Plaka, centro histórico ateniense, caracterizado por ruas estreitas e labirínticas. Foi esta alegre e colorida área de Atenas que explorei na primeira noite, e onde acabei a jantar Moussaka numa típica taverna, acompanhado por folclore grego ao vivo – sem faltarem os acordes da tradicional “Zorbas”.

Plaka de dia...

... e à noite.


Plaka estende-se encosta acima, entre ruelas e escadinhas, até bem perto da principal atração de Atenas – a Acrópole. Erguendo-se majestosamente no topo plano de uma colina rochosa, este conjunto arqueológico, datado do século V a.C., evoca os tempos áureos da Grécia Antiga, berço da democracia e da filosofia, ocupando por isso um papel de relevo na História da Humanidade.

Parténon

Visitar este espaço, onde se destaca o icónico templo Pártenon, custa 20 euros (demasiado caro, por muita que seja a importância histórica do lugar). Para estudantes universitários da União Europeia, a entrada é livre. É certo que os meus tempos de estudante já lá vão, mas o cartão de aluno da UBI ainda existe. Raspei a data de validade com uma faca de cozinha antes de viajar e, à entrada da Acrópole, atirei o barro à parede. Pegou. Entrei de borla. Assim se poupa dinheiro, e assim me vinguei pessoalmente dos gregos, enquanto Português, depois do que aconteceu no Euro 2004.

A prova do crime


Dignos de menção são também outros monumentos evocativos da Grécia e Roma Antiga, como o Teatro de Dionísio, o Templo de Zeus Olímpico, a Biblioteca de Adriano ou a Ágora Romana e a sua Torre dos Ventos. 

Biblioteca de Adriano (132 d.C.), com vista para a Acrópole 

 Torre dos Ventos e Ágora Romana, igualmente com uma vista privilegiada para a Acrópole

Teatro de Dionísio

Falta ainda destacar a zona de Monastiraki e o seu mercado, que se estende ao longo das ruas Pandroussou e Ifestou; outras ruas típicas e comerciais como Mitropoleos, Ermou ou Adrianou, onde obtive o meu segundo contacto com a gastronomia grega, desta vez para comer Souvlaki; o Estádio Panathinaikou, que recebeu os primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna, em 1896; e, para culminar a passagem por todos estes sítios, nada melhor que um passeio pelos Jardins Nacionais, um extenso espaço verde que se prolonga até à Praça Syntagma.

"Flea market" na rua Pandroussou (do lado esquerdo, a loja de um clube que veste à Sporting)

Estádio Panathinaikou

Jardins Nacionais

Uma visita a Atenas não fica completa sem uma subida ao monte Lykavittos. Erguendo-se a 300 metros de altitude, é o ponto mais alto da cidade e oferece panorâmicas de Atenas a 360 graus, em toda a sua extensão até ao porto Piraeus e o mar Egeu. Há um funicular para subir até lá ao alto, mas maluco como sou decidi subi-lo a pé numa tórrida tarde de julho.

Monte Lykavittos

Vista de Atenas a partir do monte Lykavittos

Contudo, apesar do seu rico património histórico, Atenas tem também a sua faceta de moderna capital europeia: demasiado grande, demasiado movimentada, com demasiadas pessoas (locais e turistas), demasiado suja e demasiado cara. É uma boa cidade para visitar num par de dias e depois fugir dali para um local mais calminho. Foi isso mesmo que fiz, e foi tão bom que vou reservar essa parte da viagem para o próximo post.

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