domingo, 13 de março de 2016

Uma viagem à Bulgária

De Bucareste à fronteira com a Bulgária são cerca de 75 quilómetros de distância. Já começava a parecer mal, ter outro país aqui tão perto e ainda não ter lá posto os pés. Tratei disso há uns dias, numa viagem que teve como destino as localidades de Veliko Tarnovo e Sófia.


Após cruzar o rio Danúbio, fronteira natural entre os dois países, o comboio prosseguiu por entre a paisagem surpreendentemente verdejante do countryside búlgaro, pintada pela golden hour do Sol poente. Já noite cerrada, esta etapa da viagem terminou na estação ferroviária de Gorna Oryahovitsa, a 10 quilómetros do primeiro destino - Veliko Tarnovo. Não havia autocarros, ninguém falava inglês, os taxistas não inspiravam confiança, e a muito custo lá conseguimos perceber que havia um comboio para Tarnovo umas horas mais tarde. Após algum tempo a vaguear aleatoriamente pelas ruas, a incompreensão da língua e o aspeto algo deserto da cidade levou-nos a jogar pelo seguro e a quebrar uma das minhas regras no que respeita a viagens: evitar taxis. Mas desta vez teve de ser. Foi, pois, de taxi e sem grandes sobressaltos que chegámos a Veliko Tarnovo.

Veliko Tarnovo à noite

Nesta cidade, é um must visitar a extensa Fortaleza de Tsarevets, um testemunho bem preservado dos tempos em que Tarnovo foi capital búlgara (e foram mais de dois séculos, entre 1185 e 1393). Também com muitas histórias para contar, a parte antiga da cidade, ao longo da rua Gurko, conserva um ambiente medieval que faz com que o percurso desta antiga rua principal se assemelhe a uma viagem no tempo. O rio Yantra, que corre entre as colinas da cidade, acrescenta um toque de beleza natural a todo este quadro histórico.
Mais importante que tudo isto, é o facto de Tarnovo ser a cidade natal de Krassimir Balakov. Não há, contudo, qualquer estátua ou rua em sua honra, o que a meu ver constitui uma falha grave.

Fortaleza de Tsarevets, onde se destaca, no topo da colina, a Catedral Patriarcal da Ascensão 

Vista parcial de Veliko Tarnovo, com o Rio Yantra e parte da muralha de Tsarevets

Vista de Veliko Tarnovo a partir de Tsarevets (local onde estreei o meu Travel Journal)

Parte antiga de Veliko Tarnovo

Rua Gurko, antiga via principal da cidade

Outra perspetiva de Veliko Tarnovo, onde se destaca o monumento Asenevtsi, que evoca a dinastia Asen e simboliza o poder medieval da Bulgária

Segunda paragem: Sófia, onde chegámos de autocarro numa viagem pouco agradável. E ao contrário de Veliko Tarnovo, que surpreendeu pela positiva, a capital da Bulgária desilude um pouco. A cidade visita-se em poucas horas até porque, a bem dizer, não tem assim tanta coisa para ver, pese embora o facto de ser uma das capitais mais antigas da Europa e ter uma história superior a 7 mil anos. Aproveita-se a imponente Catedral de Alexander Nevsky e a avenida Vitosha, a "rua direita" de Sófia, com os cumes ainda nevados das montanhas homónimas como pano de fundo.

Ruínas da cidade trácia de Serdica (século VIII a.C.). Nas suas imediações situa-se a Igreja de São Jorge, erguida pelos Romanos no século IV. Ao fundo, a mesquita Banya Bashi (século XVI)

Cumes nevados das montanhas Vitosha, por trás da Catedral de Santa Nedelya


Antiga sede do Partido Comunista, ladeada pelo edifício do Conselho de Ministros

Teatro Nacional Ivan Vasov

Catedral de Alexander Nevsky 

Universidade de Sófia

Avenida Vitosha

O regresso a Bucareste fez-se de comboio, numa viagem em que deu para admirar, na fase inicial, os penhascos ao longo do curso do rio Iskar. Depois, a viagem tornou-se uma seca enorme. Ao todo, foram 12 horas para cobrir os 450 quilómetros que separam as capitais da Bulgária e da Roménia (fazendo as contas, dá uma média de 37 quilómetros por hora...). Uma paragem de 2 horas em Gorna Oryahovitsa, outra de 1 hora em Ruse, outra ainda de meia hora em Giurgiu... Conclui-se que não é de todo aconselhável fazer a viagem de comboio de forma direta entre as duas cidades, já que é um dia inteiro que se perde. Mas, no geral, esta viagem foi uma boa experiência. Encerro o post com uma imagem do rio Danúbio na fronteira romeno-búlgara, captada a partir de um comboio em andamento (daí não estar grande coisa).

1 comentário:

Daniel Paiva disse...

Não querendo ser mal educado, deixo-te uma palavra:

TXUXAS.