quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

The Lonely Traveler, pt. 4 - Madrid

Em trânsito para Portugal, a escala em Madrid permitiu adicionar mais um capítulo à saga do viajante solitário. Um capítulo sui generis porque, ao contrário dos destinos anteriores, não tinha propriamente interesse em visitar a capital espanhola. Mas já que tinha de ali passar um dia inteirinho, à espera do comboio para Lisboa que me deixaria em Mangualde, aproveitei para explorar a cidade.
Apesar de Madrid ser o terceiro maior aglomerado urbano da União Europeia, tudo o que interessa visitar está concentrado numa área relativamente pequena, within walking distance. Um bom ponto para começar é a Gran Via, também apelidada de Broadway espanhola, onde sobressai sobretudo a arquitetura dos edifícios que a ladeiam. Esta artéria conduz até à Plaza de Cibeles, cujo Palácio e fonte constituem um dos símbolos da cidade. Mais adiante encontra-se a Puerta de Alcalá, uma das antigas entradas de Madrid e, nas suas imediações, o Parque del Buen Retiro, um dos maiores espaços verdes da capital espanhola.

Gran Via 

Plaza de Cibeles

Puerta de Alcalá

Monumento a Alfonso XII no Parque del Buen Retiro

Na direção do centro, a Plaza Cánovas del Castillo e a Fonte de Neptuno congregam, à sua volta, os Museus do Prado, da Rainha Sofia e o Thyssen-Bornemisza, três vértices que formam o denominado Triángulo del Arte ou Triángulo de Oro. Como de costume, dispensei os museus e continuei em direção à Puerta del Sol. Esta praça, onde em tempos medievais se localizava uma das entradas de Madrid, é hoje o seu centro e ponto mais movimentado. Aqui destaca-se a estátua equestre de Carlos III e, mais discreta, a estátua do Urso e do Medronheiro, que simboliza o brasão da cidade.
A umas centenas de metros de distância está outro ponto fulcral do centro histórico madrileno: a Plaza Mayor, uma praça retangular, rodeada de edifícios de três pisos, acessível através de nove pórticos de entrada. A colorida fachada da Casa de la Panadería e a estátua equestre do rei Filipe III, em cujo mandato se iniciou a construção deste espaço (século XVII), são duas das suas referências.

Palacio de las Cortes  

Fachada da Casa de la Panaderia e estátua de Felipe III na Plaza Mayor  

Puerta del Sol 

Seguindo pela Calle Mayor surge a aprazível e típica Plaza de la Villa, antes da chegada ao imponente conjunto arquitetónico formado pelo Palácio Real e pela vizinha Catedral de la Almudena. Junto à residência oficial do Rei de Espanha (embora nenhum monarca ali habite desde a década de 1930), merecem também uma visita os jardins de Sabatini, construídos há cerca de quatro décadas no lugar dos antigos estábulos do palácio. 
Seguindo para norte pela Calle de Bailén, junto à Praça de Espanha, há uma breve viagem no tempo até ao Antigo Egipto. No topo de uma colina e no meio de um espaço verde onde não faltam palmeiras, ergue-se o Templo de Debod. Este santuário, datado de há mais de 2200 anos e dedicado aos deuses Amón e Isis, foi oferecido a Espanha pelo estado egípcio como agradecimento pela ajuda prestada no salvamento dos templos de Abu Simbel.

Plaza de la Villa 

Palácio Real

Vista da Catedral de la Almudena e do Palácio Real da partir do Parque del Oeste

Templo de Debod 

Por falar em templos... é claro que uma visita a Madrid não ficaria completa sem uma passagem pelo Santiago Bernabéu. Só deu, no entanto, para ver o exterior do estádio, pois o tempo e o orçamento não davam para mais.

Fachada de um dos templos do futebol

Assim se passou um dia em Madrid. Tempo que revelou ser suficiente para conhecer o essencial da capital espanhola. O “check” na lista de destinos visitados está feito, dificilmente lá voltarei. Entretanto, fiquei adepto desta ideia de visitar uma cidade no caminho para Portugal, e estudarei certamente a possibilidade de o fazer com outras localidades no futuro.

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