quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Uma viagem à terra do Drácula

Desde que cheguei à Roménia que me foi recomendado, quase de forma unânime, visitar uma pequena cidade da Transilvânia chamada Sighişoara. No passado fim-de-semana tive finalmente oportunidade de conhecer esta localidade histórica, famosa por ser a terra natal de Vlad Țepes, príncipe da Valáquia no século XV, que inspirou a personagem do Conde Drácula de Bram Stoker.


Depois de uma passagem por Braşov, onde pude percorrer novamente o centro histórico e admirar a cidade a partir das torres Negru e Alb, o comboio InterRegional 1745 levou-nos, às primeiras horas de domingo, rumo a Sighişoara. A viagem de quase centena e meia de quilómetros permitiu apreciar, a partir da janela da carruagem, a realidade da Roménia rural. Pequenos vilarejos que parecem ter parado no tempo, formados por casas semi construídas e atravessados por caminhos de terra, onde as carroças, puxadas por animais pachorrentos, ainda são um meio de transporte comum. Um cenário em tudo diferente da desenvolvida e distante capital, inserido numa paisagem um tanto ou quanto desolada, já despida pelo Outono e preparada para ser vestida de branco pelo rigor invernal.

Já em Sighişoara, a alguns passos da estação, surge de forma algo surpreendente um primeiro monumento que obriga a sacar da máquina fotográfica: um memorial soviético referente à Segunda Guerra Mundial, com dizeres em cirílico e símbolos comunistas a condizer. Logo ao lado, junto ao rio Tarnava Mare, a imponente Igreja Ortodoxa desvenda a principal atração da cidade, que se ergue no topo de uma colina na margem sul: o seu centro histórico, ou Cetatea. 

Memorial Soviético

Igreja Ortodoxa

Caminhar pelas ruas deste bem preservado conjunto arquitetónico datado do século XII é viajar até aos tempos medievais, respirando história a cada passo. Aconchegada entre muralhas e dominada por nove torres de vigia que resistem até aos dias de hoje, a Cetatea de Sighişoara foi erguida pelos saxões que se estabeleceram na Transilvânia, a  constitui, como Sibiu ou Braşov, mais um testemunho da presença germânica nesta região histórica. Entre estas estruturas, destaca-se a icónica torre do relógio (Turnul Cu Ceas), construída no século XIII.

Centro histórico de Sighisoara


Vista sobre o centro histórico, com a torre do relógio (que não funciona) em destaque

No coração do centro histórico, é ainda obrigatório subir a escadaria coberta em madeira da Strada Scolarilor, que conduz ao topo de uma elevação, onde se situa uma igreja e um cemitério germânico distribuído ao longo da colina.


Início da escadaria da Strada Scolarilor

Vista sobre Sighisoara

Quanto ao tema Drácula, há uma casa onde se diz ter nascido o Empalador, bem como um restaurante que ostenta o nome da personagem vampiresca. Não fui a nenhum destes sítios. Não tenho grande interesse na personagem fictícia criada a partir de um monarca medieval (embora tenha lido, em tempos idos, a obra de Bram Stoker), pelo que preferi simplesmente passear pelas ruas e contactar com a herança histórica da cidade.

Busto de Vlad Țepes na sua terra natal

Concluída a visita, o regresso a Bucareste fez-se de comboio, numa carruagem sem luz ou aquecimento. Acabou por não ser mau, para quem comprou bilhete sem reserva de lugar.
Entretanto, daqui a umas horas tenho voo marcado para Itália, e há uns dias desloquei-me finalmente à embaixada do meu país para pedir a emissão de passaporte. O meu mapa de destinos possíveis irá, por isso, alargar-se exponencialmente. A disponibilidade de tempo e dinheiro determinará o resto.

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