domingo, 29 de novembro de 2015

Itália: Quatro dias, quatro cidades

Aproveitando as tarifas simpáticas da Ryanair, fiz na passada semana a segunda viagem turística internacional do ano. O destino foi o norte de Itália, para uma agradável estadia de quatro dias, ao longo dos quais visitei outras tantas cidades - Bergamo, Verona, Brescia e Milão.


Tinha, no entanto, de haver sobressaltos. Com voo às 9h55, apresentei-me no centro de Bucareste para apanhar o autocarro às 8h30, sem me lembrar que há mais pessoas (demasiadas pessoas) nesta cidade, e que todas vão para o trabalho de carro por volta desta hora, criando uma rush hour matutina. Decidi apanhar antes um taxi, e mesmo com o condutor em modo "crazy taxi" cheguei ao aeroporto 10 minutos antes da hora de fecho da porta de embarque... Mas pronto, apanhei o voo e o taxista era porreiro (houve o inevitável "Ah, Portugalia... Cristiano Ronaldo!"), embora tenha ficado, com isto, 50 lei mais pobre.

1. Bergamo

À chegada, como tinha de esperar algumas horas pelo meu host, optei por apanhar um autocarro e explorar a vizinha cidade de Bergamo. Apesar de ostentar a classificação de Património Mundial pela UNESCO, confesso que nada sabia sobre esta cidade, pelo que explorá-la foi uma agradável surpresa. Bergamo são duas cidades numa só - a Città Alta, centro histórico resguardado por muralhas, que se ergue no topo de uma colina, e a Città Bassa, mais moderna, que forma o centro financeiro e industrial de uma das mais importantes cidades da Lombardia. E se na parte baixa da cidade pouco há para ver (à exceção da rua Sentierone e a sua vista para a parte alta), a Città Alta reúne em si o encanto das pequenas e típicas cidades italianas e vale, só por si, uma viagem a Itália. As ruas medievais e as fachadas típicas pintam o quadro pitoresco do centro histórico, e as icónicas Vespas ou Lambrettas, encostadas aqui e ali, recordam que se está mesmo numa localidade italiana. Após a subida até à parte alta, feita por via de um funicular, a Via Gombito conduz até à Piazza Vecchia. Neste espaço, ponto central da cidade por excelência, a Torre Campanária, o Duomo, o Palácio della Ragione e a Basílica de Santa Maria Maggiore formam um conjunto monumental e arquitetónico impressionante.
A primeira cidade que visitei em terras transalpinas acabou também por ser a minha favorita. Espero voltar no futuro para uma exploração mais atenta e demorada.



2. Verona

Ao segundo dia, a segunda cidade. Situada nas margens do rio Adige, Verona apresentou-se com um ar um tanto ou quanto romântico sob a chuvosa meteorologia outonal. Não admira, ou não se estivesse a falar da cidade dos amores de Romeu e Julieta. Uma das atrações turísticas locais é precisamente a Casa Di Giulietta, uma habitação do século XIV com uma pequena varanda, palco do amor entre as duas personagens de Shakespeare. Há também uma estátua de Julieta, com uma lenda associada: quem lhe tocar no seio direito, terá sorte ao amor. Vamos lá ver se é desta. Se não arranjar namorada nos próximos 10 anos, volto a Verona, divulgo o logro e destruo a estátua.
Para além da componente romântica ficcional, há outras coisas mais interessantes para ver, como a Piazza Erbe, com a icónica Torre dei Lamberti, ou a Piazza Brà, dominada pela Arena di Verona, uma espécie de Coliseu de Roma numa escala mais reduzida. E muito mais haveria para visitar, não fossem as noites caírem tão cedo nesta altura do ano. Antes da despedida, tempo ainda para atravessar o rio e admirar a cidade a partir das colinas da outra margem.


3. Brescia

Durante a minha estadia em Itália estive baseado nas imediações de Brescia. No entanto, só ao terceiro dia tive oportunidade de conhecer a cidade. Uma breve caminhada pelas ruas brescianas deu a conhecer a Piazza della Loggia, o Duomo Nuovo na Piazza Paulo VI e as ruínas romanas do Tempio Capitolino. Há também um bonito castelo, que aparenta ter vistas abrangentes sobre a cidade e arredores, mas que infelizmente não tive oportunidade de visitar.
Por outro lado, tive oportunidade de andar no Metro de Brescia. Nada de relevante, não fosse o facto das composições não terem condutor. E um metro sem condutor, para além de inédito (eu, pelo menos, nunca tinha visto nada do género), tem a sua piada.


4. Milão

Para o último dia, estava planeada uma visita a Veneza. No entanto, o elevado custo da viagem, fosse de carro ou de comboio, levou a uma mudança de última hora. Devido à relativa proximidade, a escolha acabou por recair em Milão. E a verdade é que a capital da Lombardia, apesar de formar a quinta maior área urbana da União Europeia, não merece mesmo mais que uma one-day trip.
A Piazza del Duomo, com a sua imensa catedral gótica e a rua comercial coberta Galleria Vittorio Emmanuele II, constitui o ex-libris da cidade. A partir deste ponto nevrálgico, a Via Dante conduz ao Castello Sforzesco, fortificação renascentista. Após atravessar o castelo encontra-se o Parco Sempione, o principal espaço verde da cidade e, nos seus confins, o Arco do Triunfo, também conhecido como Arco della Pace.


Não fosse eu adepto de futebol e estaria tudo visto. Mas como sou, faltava visitar o Estádio San Siro, ou melhor, Giuseppe Meazza, já que nessa noite seria a casa do Inter na receção ao Frosinone. Por esse motivo não foi possível visitar o interior, mas já me dei por contente de o ver por fora, majestoso e iluminado. No exterior havia, como habitual, bancas a vender cachecóis e camisolas. Pensei em comprar uma da Juventus, só por ser giro ter uma camisola da Vecchia Signora comprada à porta do Meazza a poucas horas de um jogo do Inter. Mas como já não tinha verba para isso, não concretizei a ideia.


P.S. - Falta referir que no regresso, no comboio de Milão para Brescia, ia sentada, do outro lado do corredor e virada para mim, uma bonita rapariga de cabelos arruivados, pele branquinha e olhos claros, qual Sansa Stark. Não era italiana, uma vez que falava em inglês, enquanto eu pensava em como poderia meter conversa com ela. Como é óbvio, nada fiz e nada disse durante a hora de duração da viagem, e quando o comboio parou em Brescia, saí e pronto. Ela lá continuou em direção a Verona. Nunca mais a verei. Assim não há seios de estátuas da Julieta que me valham.

Outro P.S. - Entretanto, chegou o passaporte. Já está por isso em curso o planeamento da próxima viagem, a um país não comunitário e fora do Espaço Schengen. Deverá acontecer em meados de Dezembro, e terá como destino as cidades de Lviv e Kiev, na Ucrânia.

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