quarta-feira, 22 de julho de 2015

Constanţa ou uma breve visita ao Mar Negro

Quase dois meses após a minha chegada a Bucureşti, saí finalmente da capital romena para ver algo mais deste país. O destino: Constanţa, cidade portuária na costa do Mar Negro.
Dado tratar-se apenas de uma escapadinha de domingo, às 5 da manhã já estava a pé, para apanhar o comboio das 6h20 rumo à costa. Mas como tentar apanhar meios de transporte a horas tão madrugadoras pode correr mal, acabámos, eu e os meus colegas de viagem, por seguir viagem no comboio seguinte, uma hora e pouco mais tarde.
Aproveitei este tempo de espera para tirar umas fotografias à Gara de Nord, a principal estação ferroviária de Bucuresti, já que nunca lá tinha estado.







Ao olhar para as linhas, para os comboios e para o painel das partidas, não pude evitar pensar que esperava ter visto tudo aquilo num outro contexto, de mochila às costas e já a meio de um Inter Rail pela Europa. Mas quanto a isso, nada a fazer.
A viagem de duas centenas de quilómetros, das planícies da Valáquia às costas da Dobruja, passou rápido (talvez porque tenha ido a dormir), e ao início da manhã já estava pronto a conhecer a principal cidade portuária da Roménia, e uma das maiores a nível europeu.
Em Constanţa, destaco a central Piata Ovidiu, dominada pelo Museu de História Nacional e Arqueologia, e pela estátua do poeta romano Publius Ovidius, que dá o nome ao local. Merece também uma menção o antigo Casino, datado dos inícios do século XX e agora ao abandono, e a avenida marginal contígua, com vistas soberbas para o Mar Negro. Ali perto, a Catedral de São Pedro e São Paulo, e o vizinho Parcul Arheologic, com vestígios de edifícios da antiga colónia grega Tomis (século VI), também merecem uma visita.





Por alturas estivais, Constanţa é também uma cidade balnear. No entanto, sendo este um centro portuário, não se pode esperar mais do que algumas praias meramente razoáveis, e deficientes ao nível de infraestruturas.





Quem quiser fazer praia a sério, deve dirigir-se a Mamaia, localidade situada uns poucos de quilómetros para norte, que goza da reputação de ser um dos melhores resorts turísticos do Mar Negro. Pensávamos nós. Chegados ao local, deparámos-nos com um areal pequeno, pejado de cadeiras para alugar, gente com fartura (e ainda nem é Agosto), e muita sujidade (plásticos, papéis, latas, restos de comida, you name it). Encontrar um lugar para estender a toalha, neste sítio e por esta altura, pode ser um privilégio raro. Perante tudo isto, nem sequer me senti tentado a ir à água, ou a tirar uma fotografia para amostra, e acabei por ficar com uma impressão algo negativa da costa romena como destino balnear. Terei de visitar Costineşti, Mangalia e Vama Veche para tirar a prova dos nove.
No comboio de regresso à capital, também ele pejado de gente, não tive direito a lugar sentado. Fiz toda a viagem na última carruagem, a olhar para os carris através da porta traseira, enquanto pensava no raio do Inter Rail que ficou por fazer...



A despropósito, tenho de introduzir um off topic, que é também uma boa novidade: já estou devidamente instalado em Bucureşti, e deixei de ser estorvilho em casa alheia (o hóspede é como um cadáver, ao terceiro dia cheira mal). Podem visitar-me no nº 32 da Bulevardul Camil Ressu, mas mais importante do que isso, é que eu próprio poderei começar a planear viagens, agora que resolvi este assunto. Espero, por isso, que os posts turísticos se multipliquem neste blog ao longo dos próximos tempos.

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