sábado, 30 de maio de 2015

Reflexão sobre a primeira semana

Passou uma semana desde que cheguei a Bucareste. Não faço balanço, nem farei previsões. Sei apenas que, se não tive os chamados «second thoughts» à partida de Portugal, começo a tê-los agora.

Vim para um novo ambiente, com pessoas novas, à exceção de um amigo de longa data, que criou esta oportunidade (e que se calhar já se arrependeu de o ter feito). Fiz com a minha vida uma espécie de formatação do sistema, por assim dizer. Aqui ninguém me conhece, e a opinião que as pessoas terão de mim dependerá do meu comportamento e das minhas atitudes. Continuando com a analogia, o computador está limpo, como novo, e o seu desempenho será ditado pelos programas que eu instalar a partir deste momento. O problema é que a minha maneira de ser não mudou, ou seja, formatei o sistema, mas estou a instalar precisamente a mesma porcaria que lá tinha antes. Se havia vírus e malwares, eles continuarão a existir. Se a minha vida em Portugal estava estagnada em termos sociais, profissionais e afetivos, possivelmente continuará dessa forma aqui na Roménia. Continuo a ser tímido, a não ter autoconfiança, a ficar calado no meu canto, e a ter dificuldades de integração. E esta é uma forma de estar que afasta as pessoas. Por outro lado, posso falar pouco, mas quando abro a boca falo demais. Já levei várias marteladas na cabeça ao longo da vida por causa disto, mas mesmo assim não aprendo a lição. E esta é uma atitude que desilude as pessoas.
E pronto, acho que foi isto que consegui fazer na minha primeira semana: afastar e desiludir as pessoas, e criar primeiras impressões algo negativas a meu respeito. Nada de novo, portanto. Aguardemos para ver o que trazem os próximos tempos. Reitero que não farei previsões, porque se há momentos em que penso ficar aqui por tempo indeterminado, outros há em que questiono a minha vinda para a Roménia (como agora), e considero sair assim que passar um tempo razoável para pedir a demissão sem parecer muito mal. Uma coisa é certa: tal como disse à minha progenitora antes de partir, “aqui não tenho amigos, não tenho namorada, tenho um emprego miserável, estou sempre fechado em casa e não convivo com ninguém; lá, na pior das hipóteses, o cenário será igual”.

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