segunda-feira, 4 de maio de 2015

Destino: București

No post anterior, justifiquei a reabertura deste espaço com uma “viagem só de ida”, que representa uma “volta significativa” na minha vida. É chegada a altura de esclarecer o significado disso. E o significado disso é que vou emigrar. O destino? Bucareste, capital da Roménia.


Sim, eu admito que a Roménia está um pouco “off the beaten track” enquanto destino de emigração, e o pessoal até pode dizer “Pffff, Roménia? Então os romenos vêm para cá a fugir à pobreza, e andam aí desgraçados nas obras, e tu vais para lá?”. Mas tenho lá um emprego à espera, razoavelmente remunerado para a realidade romena, e isso é que é importante. O país pode ter miséria, pode ser uma espécie de Portugal há 20 anos atrás, mas está em desenvolvimento, depois de ter aderido à União Europeia em 2007, e ao que parece há lá empregos para estrangeiros. Até a série Portugueses Pelo Mundo, da RTP, passou por Bucareste, para entrevistar quatro tugas que lá trabalhavam.



E porquê a Roménia? Basicamente, porque foi dali que a oportunidade surgiu.
Devo referir que, nos meus tempos de puto, tinha um fascínio pela Roménia. Eram os tempos do Sporting Campeão Nacional com Bölöni e Niculae, e dos rumores de transferência para Alvalade de outros futebolistas romenos, como Adrian Ilie, Mihalcea ou Pancu, que não se vieram a concretizar (é incrível como me lembro destas coisas inúteis, e me esqueço, por exemplo, do que aprendi na escola por esta altura). Eram os tempos em que não tinha Internet, mas tinha uma Diciopédia, onde existia um vídeo que conjugava imagens da Transilvânia com a Cavalgada das Valquírias de Richard Wagner. Eram os tempos em que lia o Drácula de Bram Stoker na biblioteca da escola, durante os intervalos, porque não me deixavam requisitar o raio do livro. Estava, no entanto, longe de imaginar que o meu futuro passaria por este país.
A decisão não foi fácil de tomar. Trocar um emprego na minha área de formação, no meu país (mas pago miseravelmente) por um emprego a 3500 km de distância, numa área que nada tem a ver com aquela que cursei (mas com um salário que oferece perspetivas de viver sem preocupações). A desequilibrar, o facto de nada me prender a Portugal. Amigos pouquíssimos, namorada só em sonhos. Ninguém vai sentir a minha falta. Talvez só os meus progenitores, mas também eles emigraram nos seus 20’s, portanto hão-de compreender a situação. 
Desequilibrou também o facto de eu sentir a necessidade de tomar uma atitude que traga mudanças à minha vida, completamente estagnada em termos sociais e afetivos. Uma mudança de ambiente, que me tire da rotina “casa-trabalho-casa”, em que apenas convivo com três colegas de trabalho, no local de trabalho, e passo o resto do tempo fechado em casa, isolado do mundo. E, por último, há algum tempo que vinha pensando em tentar uma experiência no estrangeiro. Perante tudo isto, lá me decidi a enviar o CV ao caro amigo Daniel, para ele me recomendar lá na empresa onde trabalha. Coitado do rapaz, que já me conhece desde os tempos que descrevi ali atrás (13 anos, coza-se, ninguém merece), e agora vai levar comigo outra vez.

A consequência negativa desta decisão é que este verão fico sem férias. Consequentemente, a viagem que tinha programado – um Inter Rail – vai por água abaixo. Tendo 25 anos de idade, esta era a última oportunidade de fazer o Inter Rail a um preço mais baixo. Para o ano, com 26, deixo de ser “jovem” e passo a ser “adulto”, segundo a tabela de preços, pelo que o bilhete fica mais caro. A rota estava delineada (curiosamente, até incluía Bucareste), a pesquisa de hostels nas várias cidades também estava feita, mas agora fica tudo sem efeito. O Inter Rail será, provavelmente, mais um objetivo da minha juventude que vai ficar por realizar, tal como ir de Erasmus, participar num Voluntariado Europeu, e arranjar uma namorada. Paciência. Resta-me partilhar aqui o mapa da viagem, que vai ficar na gaveta.

1 comentário:

Daniel Paiva disse...

Caraças pá, pelo menos aqui podes fazer um tour pelos Balcãs que é barato.

Anda vem e diz qualquer coisa quando chegares ao aeroporto.

Ah, e bem vindo de volta à blogosfera!

Abracinho.