quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Tall Ships Races 2011, Pt. 3 - Halmstad > Copenhaga > Amesterdão > Lisboa

Eis-nos chegados ao final desta mini-série de 3 episódios relativa à minha odisseia nas Tall Ships Races. Estávamos em que ponto, mesmo? Ah, já sei, na partida de Stavanger rumo a Halmstad para a etapa final. Mais uma vez, ficava para trás a segurança do porto, e o fantasma do enjoo/Gregório começava a pairar por ali... mas desta vez não me armei em esperto e tomei os comprimidos. Resultado: apesar de a viagem ter durado 4 dias, em vez das 24 horas que demorou a primeira, não enjoei uma única vez.
Voltando ao que interessa... custou-me abandonar Stavanger. Gostei mesmo daquela cidade, caraças! Mas para compensar a tristeza da despedida, havia o panorama da partida dos navios para a etapa. Todos os barcos ao mesmo tempo a partirem para o mar, qualquer coisa de espectacular.


Seguiram-se os já referidos 4 dias em alto mar até chegar à Suécia, que sem enjoos souberam que foi uma maravilha. Foi neste período que se desenvolveu o grosso das actividades previstas para bordo, como os jantares internacionais (fizemos lá um cozido à portuguesa que estava um espectáculo), as apresentações dos países, o festival da Eurovisão (que conseguimos ganhar, apesar de sermos oriundos do único país europeu que nunca ganhou o real Festival da Eurovisão), os jogos tradicionais, e outros um pouco menos tradicionais como o ninja-game, bullshit! ou o murder game. À conta deste último jogo, que consistia em "matar" pessoas abraçando-as, fui uma vez acordado a meio da noite pela minha "assassina", uma finlandesa loirinha e, permitam-me a expressão, toda boa (e de apenas 16 anos, apesar de aparentar 23 ou 24... ). Morri para o jogo, mas ganhei a noite, pois não é todos os dias que um monumento daqueles me acorda para me abraçar. Benditos jogos estes!
Agora a sério... posso ter ficado contente por um lado, mas por outro fiquei um bocado chateado. É do pior que me podem fazer, acordarem-me a meio da noite sem motivo que o justifique. E sendo por causa de um jogo... enfim. Atitudes de uma rapariga de 16 anos, tem de se dar o desconto.
De resto, era mais do mesmo: levantar cedo, pequeno-almoço às 8h, às vezes às 7h, seguido do período denominado de happy hour, que consistia em... limpar o navio, do convés às casas de banho. Depois, havia lugar aos watches, ou turnos, com o pessoal do navio dividido em 3 grupos (blue, white e red watch, usando as cores da bandeira holandesa), que eram responsáveis pelo navio durante períodos de 2 ou 4 horas, e que se prolongavam por todo o dia e toda a noite. Cheguei a fazer, como de resto toda a gente, períodos da meia noite às 4h da manhã, e das 4h às 8h da manhã. Coisas nem sempre agradáveis, mas necessárias para fomentar o ambiente de disciplina e a consciencialização do papel de cada um a bordo. E foi durante esses períodos que tive uma das melhores experiências a bordo: estar ao leme do navio. É uma sensação do caraças, saber que a rota do barco está nas nossas mãos. É uma sensação do caraças pôr o navio a andar a 8,5 nós e dizerem-nos que estamos a fazer um bom trabalho. É uma sensação do caraças, estar ali de mão no leme, a levar com o vento, e a cantar baixinho a música Homem do Leme, dos Xutos. Já não tão boa é a sensação que se experimenta quando o capitão aponta para a água, rindo-se, mostrando a rota curva que o navio fez devido à azelhice de quem está ao leme...
E assim se passaram 4 dias em alto mar. E foi precisamente ao 4º dia, já com a etapa concluída, que houve direito a um pequeno grande brinde: uma ida à praia. O Wylde Swan atracou ao largo da ilha de Anholt (Dinamarca), e lá foi o pessoal todo banhar-se nas águas límpidas deste pequeno paraíso dos mares do Norte. E se pensam que a água era fria, desenganem-se! Esta praia não ficava a dever nada às praias da nossa tuga pátria. Pena mesmo foi só lá ter passado uma hora. Pouco tempo, mas que soube muito bem!



Foi nessa noite que o navio chegou a Halmstad, já de madrugada, pelo que as primeiras visitas à cidade começaram na manhã seguinte. E, para quem vinha tão bem impressionado de Stavanger, Halmstad revelou-se uma desilusão. E não, o facto de eu não ter gostado por aí além desta cidade não tem nada a ver com o facto de a equipa de futebol lá do sítio ter eliminado o Sporting da Taça UEFA há meia dúzia de anos (até porque o Viking de Stavanger fez o mesmo uns anos antes, e eu adorei a cidade). O centro histórico é medianamente interessante, com belas catedrais e jardins catitas, mas... fica-se por aí. O rio que desagua na cidade, de seu nome Nissan (sim, como a marca de carros nipónica) podia dar uma outra graça à coisa... se não fosse tão sujo ao ponto de a água parecer café.


O porto não é pitoresco como o de Stavanger, é sim industrial, cinzento e sem graça. E quanto a actividades em terra, nada de jeito. Nem sequer um concerto do Basshunter, que por acaso é de Halmstad (confesso que tinha alguma esperança...). Escapava a Youth Area, onde se podia ir à net e jogar matraquilhos humanos (ainda hoje tenho o pé esquerdo todo negro à conta disso...). Foi lá que vi um concerto de uma banda de Metal com o nome mais espectacular de sempre: By Night We Hunt Rabbits (que é como quem diz, pela noitinha nós caçamos coelhos).


O último dia em Halmstad ficou marcado por mais uma Crew Parade, desta vez muito mais saborosa, porque na entrega de prémios, o Wylde Swan arrecadou 3 canecos: 1º lugar da classe A na etapa, 1º lugar final da classe A (nem se ouviu falar dos todos-poderosos Mir e Christian Radich), e o mais importante deles todos, o Friendship Trophy, que distingue o navio que mais contribui para a amizade e compreensão internacional durante as corridas. Wylde Swan, number one!



Posteriormente, e à semelhança de Stavanger, houve uma Crew Party, onde eu mais uma vez só fui para comer. Depois, foi voltar ao navio e arrumar as tralhas, que o dia seguinte era dia de partir. E arrumei-as tão bem que deixei lá ficar uns calções que tinha comprado mesmo antes de partir em viagem...
Adiante... como disse, o dia 7 de Agosto marcou a despedida a Halmstad e ao Wylde Swan. E se em Stavanger estive 4 dias e queria mais, em Halmstad estive 2 dias, e já foi muito. O que custou mais foi o adeus ao navio. Abraços e beijos, e gente a dizer-me nice to meet you sem que antes disso, ao longo de toda a viagem, me tivessem dirigido uma única palavra. Sinto que não fiz grandes amizades por lá, e que se houvesse um concurso do tipo "elo mais fraco", em que todos escolhessem anonimamente alguém para sair, eu ganhava por larga margem. Duas semanas não chegam para eu fazer amizades; geralmente é preciso pelo menos um ano. Mas isso não impede que me tenha custado despedir-me do Wylde Swan; foram muitos bons momentos que lá passei, e que vou guardar na memória durante muito tempo.
Despedidas feitas, foi altura de apanhar um comboio com destino a Copenhaga. Nessa viagem tive oportunidade de apreciar algumas paisagens fantásticas da Suécia, e ver de relance as cidades de Lund e Malmö. Em Copenhaga só estive um par de horas, o que não deu para ver quase nada da capital dinamarquesa. Ainda assim, deu para ver um homenzinho com a camisola do Liverpool daquelas mais antigas com publicidade à Carlsberg, a tentar gamar um six-pack de cerveja Carlsberg... e a ser apanhado. Fiquei na dúvida se seria mesmo um roubo, ou uma acção promocional da marca :)


Depois disto, avião até Amesterdão, com direito a ecrãzinhos informativos e tudo (fiquei a saber que aquilo voa a 10km de altitude, deslocando-se a 700km/h, e que do lado de fora estavam -47ºC ). Mais uma vez de passagem pelo Schiphol de Amesterdão, houve necessidade de fazer tempo até embarcar para Lisboa; tratei disso enfiando-me numa livraria a folhear livros da Lonely Planet, ansiando fazer outra viagem o quanto antes. Como já devem ter percebido, fiquei fascinado pelas finlandesas nesta viagem, pelo que o próximo destino que pretendo visitar é agora a Finlândia ;)
Chegada a hora, embarquei para Lisboa, onde cheguei já passava das 23h. Depois de tempos infinitos à espera da mala, experimentei a sensação de sair por aquela porta por onde saem as estrelas de futebol e os medalhados olímpicos, e ver gente cá fora a saudar. Infelizmente, entre essa gente, estavam os meus progenitores, que resolveram ir-me buscar. Já não ficou a custo zero, a viagem... E para melhorar tudo, de Leiria para cima tive de ser eu a trazer a carrinha. Seria giro se não fosse acompanhado por quem ia, sempre a receber insultos à minha condução e ordens para andar devagar (mesmo quando ia a 60km/h). Daí que se tenha demorado mais de 5 horas a chegar a casa.
E assim terminou esta odisseia lendária. Ainda hoje me custa a acreditar como foi possível ganhar uma viagem destas, com tudo pago, escrevendo apenas um texto de 2 páginas. Mas ganhei, é o que interessa. E posso-me gabar de ter feito a viagem que fiz partindo com €1,07 na carteira, e regressando com o mesmíssimo valor. Ou se calhar é melhor não me gabar, afinal acaba por ser mais um exemplo da minha sovinice... Seja como for, a viagem foi do caraças, recomendo vivamente a todos que se metam em coisas destas, que são mesmo brutais, e pronto, é isto. Se repetia? Claro que sim. Fico à espera que lancem um concurso parecido no próximo ano :)

2 comentários:

Dani disse...

Estive mesmo para participar nesse concurso, mas depois pensei: ''Esquece isso, só vais ter trabalho e não vais ganhar nada''.
Agora estou com inveja, muita inveja!

Fabian_34 disse...

Ahahah a sério?
Eu, por outro lado, pensei "não pode ser, isto é muito fácil. Mas se aqui diz que é assim...". Anotei a deadline, e na noite atrás lá estava eu a escrever o texto. Demorou um bocadinho, mas no fim de pronto enviei-o com 75% de confiança de que ia ser um dos vencedores (sim, às vezes tenho momentos de optimismo).

E bem podes estar com inveja, Dani. Não sabes o que perdeste. E em próximas oportunidades, participa. Mesmo que não ganhes, pelo menos tentaste. E até pode acontecer que ganhes :)